#TechSaúde: a medicina do futuro é individual, robotizada e baseada em dados

#TechSaúde: a medicina do futuro é individual, robotizada e baseada em dados

Quem me acompanha já conhece meu entusiasmo pelas novas possibilidades surgidas a cada dia devido à Revolução Tecnológica. Minha área profissional, focada no e-commerce e marketing digital, tem me permitido acompanhar as rápidas transformações que ocorrem na sociedade a todo tempo. E uma das áreas mais promissoras quando se fala nos benefícios para o indivíduo que a revolução 4.0 pode trazer é a saúde.

Órgãos inteiros produzidos em impressoras 3D, acessórios e roupas inteligentes capazes de monitorar a saúde do usuário em tempo real, mapeamento do gene com predição de doenças que antigamente eram diagnosticadas tardiamente, cirurgias realizadas por robôs ou manuseadas à distância, chips que substituem cirurgias invasivas, entre outros. As possibilidades são inúmeras – mas nenhuma delas se trata de ficção científica, algumas já estão sendo adotadas cotidianamente, enquanto outras estão em vias de implementação.

Selecionei algumas das possibilidades que a utilização da tecnologia aplicada à área da saúde que mais faz meus olhos brilhar – e vou apostar aqui que os seus também.

Na esquina

Quando se trata da saúde individual, a tecnologia já faz parte do cotidiano de boa parcela da população. Utilizar o whatsapp, por exemplo, para marcar consultas, tirar dúvidas ou até mesmo orçar medicamentos já é uma realidade para muitos – tanto que a startup paulistana Manipulaê, que faz a intermediação entre farmácias e consumidores, está crescendo num ritmo de 30% ao mês em novos clientes, em pedidos e em receitas, desde o início do ano.

Já a busca de informações de saúde pela internet já está tão consolidada que ganhou até um termo próprio, o Drº Google. Nesse quesito a tecnologia aplicada à saúde já é consagrada: uma pesquisa da Kaiser Family Foundation indicou que, nos EUA, o índice de usuários que admitem ter buscado informação na internet sobre algum sintoma chega a 70%. Os aplicativos e gadgets também estão se popularizando: mais da metade (51%) utiliza essas tecnologias para acompanhar sono, desempenho físico ou dietas. Contudo, quando se vai mais a fundo, a utilização da tecnologia para a saúde ainda não vai além da superfície – apenas 44% dos indivíduos acessaram seus dados médicos online e menos de 25% usam o digital para gerenciar questões de saúde.

A utilização de gadgets e aplicativos já é um ingrediente que promete revolucionar a medicina no futuro. A quantidade enorme de dados geradas pelos hábitos de vida e a manifestação dos sintomas de um paciente será fundamental para uma medicina personalizada, com diagnósticos mais precoces e valores mais precisos para a indústria privada da saúde. Essa é a aposta do relatório Pulse of the Industry 2019, produzido pela gigante empresa de consultoria EY. De acordo com o documento, a indústria de medtech está longe da crise: tecnologias voltadas para dados continuam a ganhar validação de reguladores e investidores e no último ano sua receita aumentou em 7%, para US$ 407,2 bilhões, no terceiro ano consecutivo de crescimento. Desde o início de 2018, a FDA americana, responsável pela regulação do setor, já aprovou 33 algoritmos distintos de inteligência artificial para processar dados individuais de saúde e indicar caminhos de tratamentos. Mas a liderança da área é chinesa: 37% do investimento mundial em digitalização do setor ocorreu lá.

Acesse o relatório na íntegra

E quem acha que a revolução prometida pelo setor está longe de acontecer deve conhecer este caso: em fevereiro, Toralv Østvang, um norueguês de 67 anos levou um tombo, bateu com a cabeça e desmaiou. Ele usava um Apple Watch, que registrou o movimento brusco da queda e disparou um alerta para a polícia local, ao identificar que após um minuto ele não se mexia. Østvang teve uma hemorragia interna no crânio e só não faleceu por conta do relógio, que assegurou socorro a tempo. Nos EUA, as estimativas indicam que uma pessoa morre por conta de um acidente evitável a cada três minutos. Prova de que essa tecnologia tem ainda muito espaço para crescer e fazer diferença real na vida das pessoas.

Weareables como Apple Watch fazem parte de um conjunto de tecnologias “vestíveis” que está sendo denominada de smart bodies, o “corpo inteligente”. São aparelhos com sensores conectados à internet que prometem ter mais impacto em nossas vidas até do que as casas inteligentes. Os equipamentos do gênero mais populares são mesmo os relógios: além do monitoramento para quedas, a maioria já conta com monitoramento de frequência cardíaca, e alguns já são capazes de fazer eletrocardiogramas e detectar problemas como fibrilação atrial.

Nos Estados Unidos, até o mercado de planos de saúde é um dos mais interessados na tecnologia. É o caso da Devoted Health, uma startup norte-americana voltada para o mercado de seguro de saúde com foco em idosos, que oferece desconto de até US$ 150, para os clientes que comprarem, e usarem, o Apple Watch. O subsídio, que representa um pouco mais de um terço do valor, é dividido com Apple. A expectativa é a de que o relógio ajude no alerta para problemas de saúde antes que eles se tornem mais complexos e caros para resolver.

O mercado de wearables tem um crescimento anual estimado de 16,7% e projeções estimam que possa chegar a US$ 34 bilhões em 2020. No Brasil a tendência se confirma, mas ainda há muito espaço para crescimento: um estudo do Grupo Technos detectou que o consumo anual de relógios inteligentes do brasileiro ainda é quatro vezes menor do que a média mundial.

Revolução

Mas se tratando de tecnologias voltadas para a saúde, a medicina individual é só uma pequena amostra da revolução que está acontecendo no setor. No futuro, por exemplo, órgãos inteiros poderão ser impressos. É o que podemos esperar no caso dastartup Cyprio, liderado pela médica iraniana Noushin Dianat. Radicada na França, a startup produziu um modelo 3D de células de fígados humanos e ganhou há poucos meses um investimento para desenvolver o protótipo. A ideia é ousada: a partir do desenvolvimento de tecido hepático, é possível até produzir um fígado, que serviria de paliativo para os pacientes na fila de transplante. Mas só as células já têm em si grande utilidade: funcionam para saber a toxicidade de novos medicamentos em teste. Para demonstrar o que o futuro nos reserva, a Siemens publicou um caso imaginário de uma paciente com câncer de cólon em 2038. Vamos a ele.

A paciente descobre que possivelmente está com metástase de um tumor retirado anos antes e engole uma pílula munida de uma câmera. A partir das imagens coletadas e dados genéticos e sanguíneos, uma equipe consulta em um grande banco de dados com informações de outros pacientes com quadros similares e a probabilidade de surgimento de metástase. Se o resultado for positivo, a paciente vai para um exame de imagens que gera um modelo 3D do fígado, onde estão as novas células cancerosas. Em casos de tumores pequenos, a cirurgia é não invasiva: são inseridas uma série de agulhas carregadas de nanorobôs que navegam e queimam as células ruins. Se o tumor estiver maior e precisar retirar de um pedaço grande do órgão, a equipe cultiva células hepáticas da pessoa que são injetadas após a retirada das partes do órgão afetado para ajudar na recomposição. Um mês depois, a paciente já está em casa, com o fígado renascendo.

Mas não vou precisar esperar tanto para ver acontecer a mágica da utilização de tecnologia para evitar cirurgias invasivas. O físico brasileiro Sérgio Mascarenhas, já criou um truque ao se deparar com suspeita de possuir Hidrocefalia de Pressão Normal. Embora a doença seja facilmente curável, só para confirmar o diagnóstico era preciso realizar uma cirurgia que perfurasse o crânio e medisse a pressão interna.  Para evitar o procedimento, Mascarenhas, que também é engenheiro, se dedicou a buscar uma solução e descobriu que um chip normalmente usado para medir abalos em estruturas de obras é capaz de perceber a alteração da pressão interna do crânio, sem cirurgia invasiva. O físico hoje tem 91 anos e é fundador da startup brain4care. O seu marcador virtual, que não invade o crânio, pode ser instalado em seis horas.

Com tanta inovação acontecendo por aí, inclusive em terras canarinhas, fica difícil duvidar do meu entusiasmo pelo potencial que a Revolução 4.0 tem na saúde, não é mesmo?

sandra turchi - blog
assinatura sandra turchi
Especialista em Marketing Digital e E-commerce, palestrante, professora e sócia-diretora da Digitalents.

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